Tudo começou no exercito. Na década de 40 os militares começaram a espalhar a calistênia pelas escolas criando as primeiras aulas padronizadas de ginástica, nos anos 50 com a enorme vinda de imigrantes de todos os países para o Brasil alguns desses imigrantes começaram a divulgar suas culturas e surgiram os primeiros studios de Balé Clássico, nos anos 60 os dojos de Karatê, Judô e Kung Fu começaram a aparecer, nos anos 70 a Yoga e o Jiu Jitsu eram a bola da vez, nos anos 80 a primeira revolução ocorreu no mundo da Educação Física com o surgimento da Ginástica Aeróbica e da Musculação chamada nessa década de halterofilismo e das primeiras academias chamadas de corporativas onde os alunos poderiam encontrar as mais variadas modalidades. Nos anos 90 as aulas de ginástica tiveram o seu primeiro nível de decadência mas aulas pré-coreografadas salvaram amantes da ginástica. Ano 2000 o segundo nível de decadência começa a aparecer mas as aulas pró-coreografadas e o investimento no treinamento de professores autosuficientes começa a crescer exponencialmente. 2010 estamos voltando ao principio das coisas onde os professores precisam estudar, criar e organizar suas próprias aulas pois nesse momento os alunos estão começando a se tornar autosuficientes.
O número de pessoas que hoje troca a caminhada ou corrida na esteira pela caminhada e corrida na rua aumenta progressivamente, o número de pessoas que troca as bicicletas ergométricas pela montain bike e sai para pedalar na rua aumenta dia a dia. Como vão sobreviver as empresas que constroem esteiras e bicicletas ergométricas cada vez mais sofisticadas? Que academia vai comprar uma esteira de R$ 30.000 reais? É melhor essas empresas começarem a repensar suas estratégias.
Desde que eu me conheço por professor de ginástica todo verão surgem pelo menos 3 aulas de ginástica novas que prometem sempre a mesma coisa fazer com que o aluno chegue ao status de corpo perfeito. São tantas aulas que nem que o professor de ginástica queira ele será capaz de trabalhar com todas. Porque isso acontece? Na minha opinião é uma mistura de falta de competência o professor com falta de estrutura da academia e também falta de determinação por parte do aluno, ou seja, todos são culpados. Existem nas academias aquele paradigma de aulas que pegam e aulas que não pegam, eu acredito que todo tipo de aula pega desde que colocada no horário certo focada portanto no público certo.
Algumas academias que eu trabalhei disponibilizam até 3 aulas ao mesmo tempo no mesmo horário, dependendo da forma que essas aulas forem organizadas uma ''ferra o ibope da outra'' o ideal seria que fossem 3 aulas completamente diferentes uma da outra por exemplo Body Pump, Spinning e Alongamento nesse caso 3 públicos com 3 perfis diferentes se a academia tiver um número consideravel de pessoas desses perfis nesse horário compensa arriscar rolar as 3 aulas.
Uma frase de um colega de profissão mexeu muito comigo a duas semanas atrás ele disse o seguinte ''quem sabe cria, quem não sabe copia'', após muita reflexão entendi a indireta colocada nas entrelinhas. Os criadores das aulas de Body Pump, Jump Fit, Step e Pilates teriam um ataque de fúria incontrolável se vissem como alguns professores de ginástica ministram essas respectivas modalidades e como funcionam as aulas ''genéricas'' das mesmas. Nos anos 80 o impirismo reinava nas academias e os verdadeiros professores se destacavam entre os aventureiros e copiadores. O que é pior? Não saber o que esta fazendo ou copiar uma aula sem saber pra que ela serve? O bom senso dos professores que realmente estudavam o que iriam fazer nas suas aulas prolongou o que poderia ser uma ''modinha'' e a transformou em uma filosofia. Do mercado da Aeróbica fomos para o mercado do Fitness e do Fitness estamos indo para o Wellness.
Sobre a premonição digo o seguinte como o aumento do número de studios de Pilates, studios de Personal Trainers, Studios de dança de salão, Studios de danças variadas, academias só de artes marciais, academias só de musculação, academias de natação, Ginástica de graça em centros comunitários, Ginástica de graça nas praças públicas, Ginástica em condominios, Ginástica Laboral, grupos de corrida, grupos de caminhada, grupos de ciclismo e grupos de esportes radicais, com tantas opções que prometem as mesmas coisas quem é que vai continuar fazendo a boa Ginástica de academia?


